Perigos secundários: Uma tempestade silenciosa nos seguros marítimos

A indústria marítima enfrenta perdas crescentes devido a perigos secundários, como inundações, incêndios florestais e tempestades severas, agravados pelas mudanças climáticas. Esses riscos imprevisíveis impactam o comércio global e exigem que os seguradores revisem seus modelos de subscrição e estratégias de cobertura.

Foto de Mikail Firat

A indústria marítima é, sem dúvida, o pilar do comércio global, conectando mercados e garantindo o fluxo de bens em todo o mundo. No entanto, eventos naturais catastróficos, como terremotos, tsunamis e furacões, representam um desafio inegável para seguradoras e para a sociedade. Embora esses desastres sejam devastadores, eles são bem estudados pelo setor de seguros. Nos últimos anos, entretanto, surgiu uma ameaça mais silenciosa, mas cada vez mais significativa: os chamados perigos secundários.

Embora os perigos máximos, como furacões extremos e terremotos, sejam claramente responsáveis pela volatilidade significativa na magnitude das perdas, os perigos secundários estão impulsionando a tendência de aumento das perdas seguradas. Pesquisas indicam claramente que as mudanças climáticas têm um impacto — em alguns casos, considerável — na frequência e severidade desses fenômenos naturais.

Os perigos secundários referem-se a riscos naturais localizados, como inundações repentinas, incêndios florestais, tempestades de granizo e tempestades severas com tornados. Esses perigos não são mais fenômenos raros ou de ocorrência isolada. Sua crescente frequência e severidade tornaram-se uma preocupação urgente para a indústria de seguros, e os seguros marítimos não são exceção. Esses riscos, alimentados pela intensificação das mudanças climáticas, exigem que as seguradoras reconsiderem os modelos tradicionais de subscrição.

Na última década, testemunhamos uma cascata de eventos extremos que ilustram o crescimento do impacto dos perigos secundários. Incêndios florestais na Califórnia (2018), Austrália (2019) e Grécia (2018-2023) causaram perdas humanas e financeiras significativas. Tempestades severas nos Estados Unidos alcançaram níveis de perdas anuais comparáveis a um furacão grave, e inundações repentinas na Alemanha e Espanha (2023-2024) afetaram comunidades e indústrias igualmente. Esses eventos geraram milhares de milhões de dólares em danos à infraestrutura, interromperam cadeias de suprimento e prolongaram interrupções comerciais.

A América Latina, frequentemente identificada como uma das regiões mais vulneráveis a desastres naturais, oferece um exemplo claro dos desafios que os perigos secundários representam. Em 2023, seca no Panamá interrompeu significativamente as operações do Canal do Panamá, reduzindo o número de trânsitos diários de embarcações de 38 para 28. Esse gargalo não apenas atrasou os horários do transporte marítimo global, como também gerou uma perda estimada de receita de 500 milhões de dólares para o canal, um alerta impactante de como mudanças ambientais localizadas podem repercutir no comércio global.

Em 2021, o rio Paraná na América do Sul, uma artéria comercial crítica na Bacia do Prata, atingiu seu nível mais baixo em 77 anos, interrompendo o tráfego de barcaças e afetando as economias do Uruguai, Argentina e Brasil. Por outro lado, apenas três anos depois, o sul do Brasil enfrentou inundações catastróficas no Rio Grande do Sul, deslocando quase 580.000 pessoas e causando graves danos econômicos.

O aspecto complicado dos perigos secundários reside em sua imprevisibilidade, já que, assim como inundações repentinas, podem ocorrer praticamente em qualquer lugar. Para muitos desses perigos secundários, como as inundações, a lacuna de cobertura de seguros continua alarmantemente alta, mesmo em países industrializados, sendo ainda mais pronunciada em economias emergentes. Esses eventos ocorrem frequentemente em áreas não acostumadas a tais riscos, deixando os seguradores com dados e experiência limitados para gerenciá-los ou modelá-los de forma eficaz.

O que antes era considerado marginal, os perigos secundários tornaram-se um elemento central no panorama de riscos emergentes dos seguros marítimos. Ignorar seu crescimento é arriscar ficar para trás em uma era de rápidas mudanças climáticas e ambientais. Para a indústria de seguros, adotar estratégias proativas para compreender, mitigar e subscrever esses riscos emergentes já não é uma opção, é um imperativo.

O que antes era considerado marginal, os perigos secundários tornaram-se um elemento central no panorama de riscos emergentes dos seguros marítimos. Ignorar seu crescimento é arriscar ficar para trás em uma era de rápidas mudanças climáticas e ambientais. Para a indústria de seguros, adotar estratégias proativas para compreender, mitigar e subscrever esses riscos emergentes já não é uma opção, é um imperativo.

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